O aneurisma de aorta é uma condição grave e muitas vezes silenciosa, que pode trazer sérias consequências à saúde.
Você sabia que o aneurisma de aorta pode voltar mesmo após a cirurgia?
Embora o tratamento cirúrgico seja eficaz, a recorrência ou complicações podem acontecer, especialmente em alguns perfis de pacientes. Continue a leitura e entenda!
ASSISTA: Aneurisma: Fique atento aos principais fatores de risco!
O que é um aneurisma de aorta?
Um aneurisma é uma dilatação anormal em um vaso sanguíneo e pode ocorrer em qualquer local do corpo, incluindo o maior deles, a aorta abdominal, com risco de ruptura e morte súbita.
O tratamento cirúrgico é indicado quando o aneurisma de aorta ultrapassa 5 ou 5,5 cm ou apresenta crescimento acelerado.
Existem duas principais formas de tratamento:
- Cirurgia endovascular (EVAR), mais moderna e mais comum hoje em dia por ser menos invasiva.
- Cirurgia aberta tradicional.
Mas será que o aneurisma de aorta pode voltar após o procedimento? Vamos entender.
Aneurisma de aorta pode voltar depois da cirurgia?
Sim. Mesmo após a cirurgia, há risco de recorrência ou surgimento de novas dilatações em outras partes da aorta.
Esse risco varia conforme o tipo de cirurgia, os fatores de risco do paciente (ou melhor, o controle deles após a cirurgia) e o acompanhamento pós-operatório.
Na cirurgia aberta, substitui-se a porção afetada da aorta por uma prótese sintética. A chance de recorrência no local operado é baixa, mas podem surgir aneurismas em outras partes da aorta ou complicações tardias, como infecções ou degenerações.
O crescimento de aneurismas nas áreas de “costura” da prótese junto ao vaso nativo também ocorre.
Já a cirurgia endovascular (EVAR, do inglês Reparo Endovascular do Aneurisma de Aorta) utiliza uma endoprótese (stent com revestimento) para impedir a passagem do sangue pelo aneurisma.
Mesmo sendo menos invasiva, também tem risco de complicações a longo prazo, como:
- Endoleak (vazamento de sangue dentro do aneurisma ou por meio da prótese);
- Deslocamento ou falha da endoprótese (fissuras no tecido ou fratura do stent);
- Expansão do aneurisma mesmo após o reparo.
Essas complicações podem levar à necessidade de reoperações.
Quais pacientes têm maior risco de recorrência?
Algumas características aumentam a chance de um aneurisma de aorta reaparecer ou gerar complicações:
- Idade avançada;
- Histórico familiar de aneurisma;
- Doenças genéticas (síndrome de Marfan, Ehlers-Danlos);
- Pressão alta mal controlada;
- Manutenção do tabagismo;
- Aneurismas múltiplos envolvendo outros segmentos da aorta ou ramos, como as artérias ilíacas, por exemplo;
- Anatomia desfavorável da aorta (curvas, calcificações);
- Falhas técnicas ou má adaptação da endoprótese.
Como evitar que o aneurisma de aorta volte?
A boa notícia é que há muito que pode ser feito para prevenir o retorno do aneurisma de aorta. Veja as principais medidas:
- Controlar a pressão arterial rigorosamente;
- Parar de fumar definitivamente;
- Tratar colesterol e diabetes;
- Realizar exames de controle com regularidade;
- Manter acompanhamento com cirurgião vascular;
- Usar endopróteses compatíveis com a anatomia individual;
- Evitar ganho de peso excessivo.
Leia também: Aneurisma de aorta abdominal: fatores de risco e tratamento
Como é feito o acompanhamento após a cirurgia de aneurisma de aorta?
O acompanhamento de pacientes que operaram aneurisma de aorta é para a vida toda.
Exames periódicos ajudam a detectar qualquer alteração precoce e são realizados geralmente um mês após a cirurgia e depois a cada 6 a 12 meses. Os principais exames são:
- Angiotomografia computadorizada;
- Ressonância magnética (para pacientes alérgicos a contraste iodado);
- Ultrassonografia com Doppler, especialmente útil após cirurgia aberta.
Se houver sinais de vazamento ou crescimento do aneurisma de aorta, pode ser necessário um novo procedimento.
Também é comum a formação de aneurismas em diferentes localizações. Assim, pacientes com aneurisma de aorta devem ter outros vasos investigados, como artérias da perna ou a circulação cerebral e vice-versa.
Mas qual a técnica com maior risco de recorrência: cirurgia aberta ou endovascular?
A cirurgia aberta apresenta menor risco de recorrência e reintervenção a longo prazo, porém carrega consigo maiores riscos cirúrgicos e pode ser proibitiva para alguns pacientes, como os portadores de problemas cardíacos.
Já a cirurgia endovascular é menos invasiva e tem menos riscos perioperatórios. Pode ser realizada com anestesia mais simples e permite alta hospitalar em até 48h.
Entretanto, estudos mostram maior chance de reoperações ao longo dos anos.
O que dizem os estudos sobre a taxa de reintervenção?
Estudos indicam que até 30% dos pacientes submetidos à correção endovascular podem precisar de nova intervenção em 10 anos, enquanto a cirurgia aberta apresenta taxas bem menores.
Pesquisas como o UK EVAR Trial 1 demonstram que a cirurgia endovascular está associada a uma maior taxa de reintervenções a longo prazo.
Após 5 anos, cerca de 20% dos pacientes necessitaram de nova abordagem, contra 6% dos operados por cirurgia aberta. Em 10 anos, essa diferença pode chegar a 35% contra 15%.
A incidência de endoleaks, migração da endoprótese e crescimento do saco aneurismático residual são os problemas mais frequentes.
Mesmo que a cirurgia aberta mostre tendência de ter resultados mais estáveis e duradouros a longo prazo, os riscos perioperatórios representam um ponto importante na decisão sobre qual técnica escolher para tratar os aneurismas.
Complicações cardiovasculares como infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral são frequentes e podem matar.
Assim, para os pacientes mais frágeis a opção pela cirurgia endovascular acaba prevalecendo.
Mesmo apresentando potencialmente mais complicações tardias, suas características minimamente invasivas reduzem significativamente os problemas perioperatorios da cirurgia aberta e resolvem a maioria dos casos. Saiba mais!
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Dr. Marcelo Giusti
Especialista em Cirurgia Vascular e Endovascular
Radiologia Intervencionista
(11) 997697817
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