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Embolização

7 doenças tratadas com a técnica de embolização

A embolização é uma técnica minimamente invasiva, realizada por radiologistas intervencionistas ou cirurgiões endovasculares, que consiste na oclusão seletiva de vasos sanguíneos visando tratar diversas doenças em qualquer parte do corpo.

Essa abordagem tem ganhado destaque por sua eficácia, segurança e por oferecer recuperação muito mais rápida que os métodos cirúrgicos tradicionais. Continue a leitura e entenda melhor!

ASSISTA: 5 benefícios da embolização de mioma uterino!

O que é a embolização?

A embolização é um procedimento cujo objetivo é interromper a irrigação sanguínea de tecidos ou estruturas anormais, como tumores, malformações vasculares ou áreas com sangramentos ativos.

O médico leva um cateter até o órgão desejado de maneira guiada por imagens (geralmente por angiografia, um tipo de raios-x em tempo real, mas também são utilizadas imagens de ultrassom e tomografia).

Por esse cateter, são introduzidos variados agentes embolizantes (como partículas, microesferas, molas metálicas ou colas biológicas) que bloqueiam o fluxo sanguíneo de maneira controlada.

Benefícios da embolização

  • Minimamente invasiva: sem cortes extensos, somente punções.
  • Recuperação rápida: retorno às atividades em poucos dias.
  • Menor risco de infecção: já que não há exposição prolongada de tecidos.
  • Preservação de órgãos: especialmente útil em casos ginecológicos e oncológicos.
  • Pode ser repetida: em casos de recorrência ou controle progressivo.

Como é a recuperação após a embolização?

A maioria dos pacientes pode voltar para casa no mesmo dia ou no dia seguinte. O repouso costuma ser de 24 a 48 horas, com retorno gradual às atividades habituais.

A maior preocupação pós-operatória costuma ser com o sítio da punção (por onde entra no corpo o cateter) e não com a área embolizada em si.

Em alguns casos, como na embolização de miomas, pode haver dor pélvica nas primeiras 48 horas, facilmente controlada com analgésicos comuns.

Em geral, a embolização permite uma recuperação mais confortável, com menor tempo de afastamento das atividades profissionais e pessoais, o que é uma grande vantagem em relação às cirurgias convencionais.

Doenças que podem ser tratadas com embolização

A embolização é extremamente versátil e pode ser aplicada no tratamento de diferentes condições médicas. Entre as principais indicações, destacam-se:

1. Miomas uterinos

A embolização das artérias uterinas (EAU) é uma alternativa eficaz às cirurgias uterinas (histerectomia e miomectomia) para mulheres com miomas sintomáticos e que desejam preservar o útero. Ela reduz o volume dos miomas e alivia sintomas como sangramento excessivo e dor pélvica.

2. Tumores hepáticos (primários ou metastáticos)

A quimioembolização (TACE) e a radioembolização (TARE) são técnicas usadas no tratamento de câncer hepático, entregando medicamentos diretamente no tumor e interrompendo seu suprimento sanguíneo.

3. Doenças degenerativas osteomusculares

A embolização das artérias geniculares (da região do joelho), bem como das artérias do tornozelo e dos pés é útil no combate aos sintomas inflamatórios de doenças como a artrose, a artrite e a fasciite plantar.

4. Varicocele

A embolização das veias dos testículos é uma alternativa minimamente invasiva para tratar varicocele, condição comum em homens jovens, muitas vezes associada à infertilidade.

5. Sangramentos gastrointestinais e ginecológicos

Sangramentos digestivos causados por úlceras, tumores ou malformações vasculares podem ser rapidamente controlados pela embolização, com alta taxa de sucesso e sem necessidade de cirurgia aberta.

Sangramentos pós-parto (hemorragia puerperal) e sangramentos anômalos em tumores ginecológicos também podem ser controlados por embolização, evitando a necessidade de cirurgias agressivas.

Outra condição também comum onde a embolização é empregada para prevenir sangramentos maiores é na presença de acretismo placentário, onde se obstruem temporariamente as artérias uterinas para a remoção das placentas com implantação anômala.

6. Aneurismas viscerais

Aneurismas em artérias que nutrem o aparelho digestivo e outros órgãos abdominais, como as artérias renais ou hepáticas podem ser tratados com embolização, evitando ruptura e complicações graves.

7. Malformações arteriovenosas (MAVs) e fístulas

A embolização pode ser curativa ou preparatória para cirurgia em casos de MAVs fora do sistema nervoso central, como no pulmão, fígado ou trato gastrointestinal.

Embolização vs Cirurgia Tradicional: Comparativo e evidências científicas

Miomas uterinos

Comparando estudos científicos, vemos que a embolização apresenta as seguintes vantagens em comparação com as cirurgias ginecológicas (miomectomia e histerectomia):

  • Menor tempo de internação (1 dia vs. 3-5 dias).
  • Menor tempo de recuperação (10 dias vs. 43 dias).
  • Retorno mais rápido ao trabalho (7-10 dias vs. 4-6 semanas).
  • Redução de sintomas em até 90% dos casos.
  • A “satisfação” com os resultados das pacientes submetidas à embolização foi semelhante à das pacientes submetidas à histerectomia após 2 anos.
  • Menor custo hospitalar, segundo análise do NHS (o “SUS” do Reino Unido).
  • Complicações menores em número e gravidade.

Câncer hepático (TACE vs Cirurgia)

Na quimioembolização (TACE) para câncer primário no fígado:

  • A sobrevida média foi de 20 meses, comparável à cirurgia em casos onde a cirurgia não era curativa.
  • Menos complicações pós-procedimento.
  • Indicação ideal para pacientes com função hepática limítrofe.

Varicocele

Estudo publicado no Journal of Urology mostrou que:

  • A taxa de sucesso da embolização percutânea foi de 90%, similar à cirurgia.
  • Menor tempo de recuperação (1 a 2 dias vs. 5 a 7 dias).
  • Menor risco de complicações como hidrocele.

Conclusão

A embolização é uma técnica segura, eficaz e com resultados comprovados para uma ampla gama de doenças, desde miomas uterinos, tumores hepáticos, varicocele, até sangramentos agudos.

Seus benefícios incluem recuperação rápida, menor risco de complicações e preservação anatômica e funcional dos órgãos.

Com o avanço das técnicas de imagem e dos materiais embolizantes, a embolização se posiciona como uma alternativa real e cada vez mais preferida em relação às cirurgias tradicionais, principalmente em pacientes com maior risco cirúrgico ou que buscam uma abordagem menos agressiva. Saiba mais!

Dr. Marcelo Giusti
Especialista em Cirurgia Vascular e Endovascular
Radiologia Intervencionista
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