Quando falamos em aneurisma, a maioria das pessoas associa imediatamente ao aneurisma cerebral ou ao da aorta abdominal. Porém, existe um tipo menos conhecido e igualmente perigoso: os aneurismas viscerais.
Apesar de raros, eles podem gerar complicações graves se não forem diagnosticados e tratados precocemente. Continue a leitura e informe-se!
O que é um aneurisma visceral?
Trata-se de uma dilatação anormal em uma artéria que irriga órgãos internos do abdome, como fígado, baço, intestinos e rins.
Essa dilatação ocorre quando a parede da artéria perde resistência, formando uma espécie de “bolha” que cresce progressivamente e pode se romper.
Embora sejam menos frequentes que os aneurismas de aorta, os aneurismas viscerais não devem ser ignorados.
Em muitos casos, são silenciosos e só dão sinais quando já há risco de ruptura, momento em que a mortalidade pode ultrapassar 25% devido à hemorragia interna.
ASSISTA: Doenças vasculares: por que identificar cedo faz diferença
Quais são os aneurismas viscerais mais comuns?
Nem todas as artérias do abdome apresentam a mesma probabilidade de desenvolver aneurismas. Entre os mais frequentes, destacam-se:
- Aneurisma da artéria esplênica: o mais comum, afeta a artéria que leva sangue ao baço. É mais prevalente em mulheres, principalmente durante a gravidez, quando há alterações hormonais e aumento do fluxo sanguíneo. O risco de ruptura em gestantes é elevado.
- Aneurisma da artéria renal: frequentemente associado à hipertensão de difícil controle. Pode ocorrer em mulheres com displasia fibromuscular.
- Aneurisma da artéria hepática: relacionado a infecções, cirurgias prévias ou doenças inflamatórias que acometem o fígado.
- Aneurisma da artéria mesentérica: localiza-se nas artérias que irrigam o intestino e costuma estar associado à aterosclerose. Pode levar à isquemia intestinal, condição grave que compromete a nutrição dos tecidos.
Quais são os fatores de risco?
Os aneurismas viscerais compartilham fatores de risco semelhantes a outros aneurismas:
- Aterosclerose (depósito de placas de gordura nas artérias);
- Tabagismo;
- Hipertensão arterial;
- Gravidez (especialmente para aneurismas esplênicos);
- Traumas ou cirurgias prévias no abdome;
- Doenças inflamatórias ou infecciosas (como vasculites);
- Histórico familiar de aneurismas.
Complicações dos aneurismas viscerais
O grande problema é que esses aneurismas geralmente evoluem de forma silenciosa. Quando os sintomas aparecem, muitas vezes, já há risco iminente de complicação. Entre os principais riscos estão:
- Ruptura do aneurisma: causa hemorragia interna potencialmente fatal;
- Dor abdominal intensa: geralmente associada à expansão do aneurisma ou à ruptura;
- Isquemia de órgãos: redução ou bloqueio do fluxo sanguíneo que compromete rins, fígado ou intestino;
- Formação de coágulos: que podem migrar e causar embolias em outros órgãos.
Como diagnosticar aneurismas viscerais?
A maioria é descoberta incidentalmente, em exames solicitados por outros motivos. Os métodos de diagnóstico incluem:
- Ultrassonografia abdominal com Doppler: exame simples, sem radiação, útil para rastreamento;
- Tomografia computadorizada (angio-TC): fornece imagens detalhadas da artéria e do aneurisma;
- Ressonância magnética (angio-RM): alternativa à tomografia, indicada em casos específicos;
- Arteriografia: exame invasivo que detalha o fluxo arterial e é geralmente usado quando já se planeja intervenção.
Cirurgia endovascular: tratamento moderno e eficaz
O tratamento depende do tamanho, formato e risco de ruptura do aneurisma, além das condições clínicas do paciente.
- Acompanhamento: aneurismas pequenos e assintomáticos podem ser apenas monitorados periodicamente.
- Intervenção: recomendada em aneurismas maiores, sintomáticos ou com risco de ruptura (principalmente os saculares).
Nos últimos anos, a cirurgia endovascular se consolidou como alternativa moderna e menos invasiva em comparação à cirurgia aberta.
Principais técnicas endovasculares
- Embolização endovascular – Consiste em introduzir pequenos coils (molas metálicas), plugs ou colas especiais no interior do aneurisma. Isso bloqueia o fluxo sanguíneo para dentro da dilatação, evitando sua ruptura.
- Stent recoberto – Um tubo metálico revestido é implantado na artéria, funcionando como uma “parede interna” que isola o aneurisma e restabelece o fluxo normal do sangue.
Vantagens da cirurgia endovascular
- Procedimento minimamente invasivo, sem grandes cortes;
- Recuperação rápida, com alta hospitalar em até 48 horas;
- Menor risco de complicações pós-operatórias;
- Retorno precoce às atividades do dia a dia;
- Menos dor e menor chance de infecções.
A cirurgia aberta ainda pode ser indicada em casos de exceção, como aneurismas muito complexos ou quando não há condições técnicas para a abordagem endovascular.
ASSISTA: Aneurisma: Fique atento aos principais fatores de risco!
Conclusão
Os aneurismas viscerais são raros, mas representam um risco elevado quando não tratados a tempo.
O diagnóstico precoce é essencial para evitar complicações graves como hemorragias e isquemia de órgãos.
Graças aos avanços da cirurgia endovascular, hoje os pacientes contam com opções modernas, seguras e eficazes, que reduzem o risco cirúrgico, aceleram a recuperação e garantem maior qualidade de vida.
Se você possui fatores de risco ou histórico familiar, converse com um especialista em cirurgia vascular ou radiologia intervencionista.
A detecção precoce e o tratamento adequado podem salvar vidas. Saiba mais!
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Dr. Marcelo Giusti
Especialista em Cirurgia Vascular e Endovascular
Radiologia Intervencionista
(11) 99769-7817
Rua Domingos de Morais, 2781 – 8º andar, sala 804 – Vila Mariana – São Paulo





