Blog

Displasia Fibromuscular

Displasia Fibromuscular: O que é, sintomas, riscos e tratamentos minimamente invasivos

A Displasia Fibromuscular (DFM) é uma condição vascular pouco conhecida, mas de grande relevância médica, já que está relacionada a complicações graves, como aneurismas, dissecções arteriais e hipertensão arterial de difícil controle.

Apesar de rara, desperta crescente atenção em razão dos avanços nos métodos diagnósticos e no tratamento minimamente invasivo. Acompanhe a leitura e saiba mais!

ASSISTA: Doenças vasculares: por que identificar cedo faz diferença!

O que é a Displasia Fibromuscular?

A displasia fibromuscular é uma doença vascular não aterosclerótica (sem o desenvolvimento de placas de gordura) que afeta principalmente artérias de médio calibre, como as artérias renais e as carótidas.

Nessas artérias ocorre crescimento anormal de células musculares na parede arterial, provocando estreitamentos (estenoses), dilatações (aneurismas) ou até rupturas.

Embora mais comum em mulheres entre 30 e 50 anos, a doença pode atingir qualquer pessoa.

Muitas vezes permanece assintomática por anos, sendo descoberta apenas após complicações graves.

Estudos indicam que a Displasia Fibromuscular pode ter um componente genético, já que 7% a 10% dos pacientes relatam casos familiares.

No entanto, a doença não apresenta padrão de herança definido e não é considerada estritamente genética, como a Síndrome de Marfan.

Fatores de risco associados à Displasia Fibromuscular

Embora sua causa exata não esteja totalmente esclarecida, alguns fatores de risco aumentam a probabilidade de desenvolver a condição:

  • Sexo feminino (até 9 vezes mais comum que em homens);
  • Idade entre 30 e 50 anos;
  • Histórico familiar em parentes de primeiro grau;
  • Tabagismo (associado a maior gravidade e complicações);
  • Influência hormonal (hipótese ainda em estudo).

Principais manifestações clínicas

Os sintomas variam conforme a artéria afetada e podem ser inespecíficos, como fadiga e dores de cabeça recorrentes, o que dificulta o diagnóstico precoce.

As artérias mais atingidas são as renais e as cervicais (carótidas e vertebrais).

Quando afeta as artérias renais

  • Hipertensão arterial de difícil controle;
  • Dor abdominal ou lombar;
  • Perda progressiva da função renal.

Quando afeta as artérias carótidas ou vertebrais

  • Cefaleia persistente;
  • Zumbido pulsátil (sensação de ouvir batimentos no ouvido);
  • Tontura e vertigem;
  • Alterações visuais;
  • Acidente vascular cerebral (AVC) ou ataque isquêmico transitório (AIT).

Riscos da Displasia Fibromuscular

Mesmo em casos assintomáticos, a DFM pode evoluir para complicações graves:

  • Hipertensão resistente por comprometimento renal;
  • Formação de aneurismas, com risco de ruptura;
  • Dissecções arteriais, que fragilizam a parede do vaso e aumentam o risco de AVC;
  • Isquemia renal progressiva;
  • Acidente vascular cerebral (AVC).

Por esses motivos, a displasia fibromuscular deve ser acompanhada de perto por especialistas.

Diagnóstico da Displasia Fibromuscular

O diagnóstico é realizado por exames de imagem que identificam o padrão típico em “colar de contas”, resultado da alternância de estreitamentos e dilatações nas artérias. Entre os principais métodos estão:

  • Angiotomografia computadorizada (angio-TC);
  • Angiorressonância magnética (angio-RM);
  • Arteriografia digital (considerada padrão-ouro, mas usada mais para intervenção que para diagnóstico isolado).

Tratamentos para Displasia Fibromuscular

O tratamento varia de acordo com a localização, sintomas e risco de complicações. Em casos assintomáticos, pode-se adotar apenas acompanhamento clínico rigoroso.

Tratamento clínico

  • Controle da pressão arterial com anti-hipertensivos;
  • Uso de medicações que anticoagulantes em baixas doses para reduzir risco de eventos trombóticos;
  • Monitoramento periódico com exames de imagem;
  • Estilo de vida saudável (parar de fumar, alimentação equilibrada, exercícios moderados).

Tratamentos minimamente invasivos

Nos casos sintomáticos, com hipertensão resistente ou risco elevado, os procedimentos endovasculares são a principal opção:

Angioplastia transluminal percutânea (ATP):

É a primeira escolha em casos de DFM renal sintomática. Consiste em dilatar a artéria com um balão introduzido por cateter. Diferente da aterosclerose, na maioria dos casos não há necessidade de stent, sendo indicado apenas em complicações ou estreitamentos persistentes.

Embolização:

Indicada para aneurismas associados à DFM. Na embolização, pequenas molas metálicas (coils) ou outros dispositivos são inseridos para bloquear o fluxo sanguíneo no aneurisma e reduzir o risco de ruptura.

CONHEÇA O DR. MARCELO GIUSTI | ESPECIALISTA EM SAÚDE VASCULAR

Pode ser prevenida?

Ainda não existe forma comprovada de prevenir a displasia fibromuscular, já que sua origem não é totalmente compreendida. No entanto, é possível reduzir complicações com:

  • Abandono do tabagismo;
  • Controle rigoroso da pressão arterial;
  • Exames periódicos em pacientes com diagnóstico ou histórico familiar;
  • Adoção de hábitos de vida saudáveis.

Considerações finais

A Displasia Fibromuscular é uma doença rara, mas potencialmente grave, associada a hipertensão resistente, aneurismas e risco de AVC.

Embora não haja cura definitiva, os avanços nos métodos de imagem e nas terapias minimamente invasivas oferecem hoje um manejo eficaz e seguro.

O diagnóstico precoce, associado ao acompanhamento especializado, é essencial para reduzir riscos e manter a qualidade de vida dos pacientes. Saiba mais!


Dr. Marcelo Giusti
Especialista em Cirurgia Vascular e Endovascular
Radiologia Intervencionista
(11) 997697817
Rua Domingos de Morais, 2781 – 8º andar, sala 804 – Vila Mariana – São Paulo