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Pé Diabético

Quando procurar um cirurgião vascular para tratar pé diabético?

O pé diabético é uma das complicações mais graves do diabetes mellitus e está diretamente relacionado a problemas circulatórios.

Entre elas, a doença arterial periférica (DAP) é uma das mais graves, pois aumenta o risco de feridas, amputações e até morte.

Apesar de sua gravidade, a DAP recebe menos atenção do que o infarto e o AVC, mesmo sendo igualmente perigosa. Continue a leitura!

ASSISTA: Pé Diabético: O que você precisa saber para cuidar melhor!

Por que o diabético deve se preocupar com problemas circulatórios?

O diabetes provoca alterações em todo o sistema circulatório. Ele acelera a aterosclerose (formação de placas de gordura nas artérias), prejudica o endotélio (camada interna dos vasos) e favorece a inflamação crônica.

Além disso, a glicemia elevada afeta a microcirculação, reduzindo a capacidade de cicatrização.

Quando somamos isso à neuropatia diabética, muitas feridas passam despercebidas.

O resultado é que muitos pacientes só procuram ajuda médica quando já há úlceras profundas, infecção ou até gangrena.

O pé diabético não é apenas resultado de neuropatia e infecção: frequentemente há também falta de circulação arterial. Sem restabelecer o fluxo de sangue, a evolução é desfavorável.

Leia também: Como o diabetes ​afeta a circulação?

Principais problemas circulatórios relacionados ao pé diabético

  • Doença arterial periférica (DAP): no diabetes, é mais agressiva e difusa, atingindo inclusive vasos abaixo do joelho. Os sintomas vão de dor ao caminhar até úlceras graves que não cicatrizam.
  • Isquemia crítica de membro: quando a circulação é tão prejudicada que há dor mesmo em repouso, presença de úlceras ou gangrena. É considerada uma emergência vascular, com risco elevado de amputação.

Fatores de risco que aumentam complicações no pé diabético

Além do próprio diabetes, outros fatores aceleram o surgimento da DAP:

  • Glicemia mal controlada (hemoglobina glicada alta);
  • Tabagismo;
  • Hipertensão arterial;
  • Colesterol elevado;
  • Doença renal crônica;
  • Histórico de infarto ou AVC;
  • Idade avançada.

Um diabético com dois ou mais desses fatores deve ser considerado de alto risco e monitorado regularmente pelo cirurgião vascular.

Quando procurar um cirurgião vascular para pé diabético?

Nem sempre a doença vascular causa dor no diabético, pois a neuropatia pode mascarar sintomas. Por isso, é importante estar atento a sinais de alerta, como:

  • Feridas que não cicatrizam em 2 a 4 semanas;
  • Dor em repouso, que melhora ao colocar o pé para baixo;
  • Úlceras dolorosas, necrose ou gangrena em dedos ou calcanhar;
  • Pé frio, pálido ou arroxeado;
  • Perda ou redução dos pulsos nos pés;
  • Infecções recorrentes ou de difícil controle;
  • Dificuldade para caminhar pequenas distâncias.

Qualquer um desses sinais exige avaliação imediata. A demora pode significar a perda do membro.

A negligência com a doença arterial periférica

Estudos mostram que a maioria dos pacientes com pé diabético desconhecem a doença arterial periférica.

Isso explica porque milhões de amputações ainda ocorrem todos os anos.

Outro ponto é que muitos profissionais de saúde dão prioridade ao tratamento do coração e do cérebro, mas não rastreiam rotineiramente a circulação das pernas, o que é um erro grave, já que a DAP também é marcador de risco cardiovascular global.

ASSISTA: Doença Arterial Periférica (DAP) – Sintomas e Tratamentos

Tratamentos modernos para o pé diabético

O tratamento deve ser individualizado e envolve três pilares:

1. Medidas clínicas

  • Controle rigoroso da glicemia;
  • Uso de medicamentos para pressão e colesterol;
  • Antiplaquetários e vasodilatadores quando indicados;
  • Abandono do tabagismo;
  • Cuidados diários com os pés (higiene, calçados adequados, inspeção).

2. Exercício supervisionado

A prática de exercícios melhora a circulação colateral e aumenta a distância que o paciente consegue caminhar sem dor.

3. Revascularização endovascular

Nos últimos anos, a cirurgia endovascular se tornou padrão-ouro no tratamento de muitos casos de pé diabético. Entre as técnicas utilizadas estão:

  • Angioplastia com balão e/ou stent, que dilata a artéria obstruída;
  • Balões farmacológicos, recobertos com medicação para reduzir a chance de nova obstrução;
  • Dispositivos mecânicos, que removem ou quebram placas calcificadas.

Essas técnicas permitem salvar membros que antes seriam amputados.

Já a cirurgia aberta (ponte de safena) hoje é reservada para casos muito graves ou quando a anatomia da obstrução não permite tratamento endovascular.

Checklist: quando o diabético deve procurar o cirurgião vascular?

  • Ferida no pé que não cicatriza em até 4 semanas;
  • Dor no pé ou perna em repouso ou ao caminhar;
  • Áreas escuras, necrose ou gangrena nos dedos;
  • Pé frio, pálido ou arroxeado;
  • Redução da sensibilidade, dormência persistente ou perda de pelos nas pernas;
  • Infecção que não melhora com antibióticos e curativos;
  • Presença de fatores de risco como tabagismo, colesterol alto e hipertensão.

Se a resposta for positiva para qualquer um desses pontos, a consulta com o cirurgião vascular deve ser imediata.

Conclusão

O pé diabético é uma complicação grave e subestimada do diabetes, com risco elevado de amputações e mortalidade.

A doença arterial periférica merece tanta atenção quanto o infarto e o AVC.

O papel do cirurgião vascular é fundamental para diagnosticar precocemente, indicar o tratamento adequado e realizar procedimentos minimamente invasivos que preservam os membros.

Se você tem diabetes, observe diariamente seus pés, use o checklist e não adie a avaliação médica.

O cuidado precoce pode salvar seus pés, suas pernas e até a sua vida.


Dr. Marcelo Giusti
Especialista em Cirurgia Vascular e Endovascular
Radiologia Intervencionista
(11) 99769-7817
Rua Domingos de Morais, 2781 – 8º andar, sala 804 – Vila Mariana – São Paulo