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Por que o acretismo placentário aumenta o risco de hemorragia no parto?

O acretismo placentário é uma das complicações obstétricas mais graves e desafiadoras da atualidade, responsável por casos de hemorragia grave no parto e de histerectomia de emergência.

A condição ocorre quando a placenta, em vez de se desprender normalmente após o nascimento do bebê, adere de forma anormal às camadas mais profundas do útero, dificultando o controle do sangramento e aumentando os riscos para a saúde materna.

Nos últimos anos, o avanço do diagnóstico por imagem e das técnicas minimamente invasivas, como a embolização endovascular, tem permitido um manejo mais seguro e eficaz, preservando a fertilidade e reduzindo complicações graves. Continue a leitura e entenda!

ASSISTA: Acretismo Placentário: diagnóstico e tratamento!

O que é o acretismo placentário?

O acretismo placentário é uma condição obstétrica grave em que a placenta se adere de forma anormal ao útero.

Em uma gestação normal, a placenta se fixa apenas na camada superficial do útero, separando-se naturalmente após o parto.

No entanto, no acretismo placentário, ocorre uma invasão anômala da placenta nas camadas mais profundas do útero. E, em casos mais severos, até em órgãos vizinhos, como a bexiga.

Essa aderência anormal impede o desprendimento natural da placenta, o que aumenta consideravelmente o risco de hemorragia durante o parto.

Graus de acometimento variam conforme a profundidade da invasão

  • Placenta acreta: adesão superficial ao miométrio.
  • Placenta increta: invasão parcial do músculo uterino.
  • Placenta percreta: invasão total, podendo atingir órgãos próximos.

Quanto mais profunda for a invasão, mais grave é o quadro clínico e maior o risco de sangramento.

Por que o acretismo placentário aumenta o risco de hemorragia no parto?

A hemorragia obstétrica é uma das principais causas de complicações maternas associadas ao acretismo placentário.

Após o parto, o útero normalmente se contrai, fechando os vasos sanguíneos que nutriam a placenta.

No entanto, quando há invasão anormal da placenta, essa contração é insuficiente para interromper o fluxo sanguíneo, o que leva a sangramento intenso e difícil de controlar. Além disso:

  • Cicatrizes uterinas de cesarianas anteriores ou miomectomias fragilizam o músculo do útero e reduzem sua capacidade contrátil.
  • Em casos de placenta prévia, a região inferior do útero tem vascularização mais densa, o que potencializa o sangramento.

Estudos mostram que até 90% das pacientes com acretismo placentário necessitam de transfusão sanguínea, e cerca de 50% podem requerer histerectomia se o diagnóstico não for feito precocemente.

Fatores de risco para o acretismo placentário

Os principais fatores de risco associados ao acretismo placentário incluem:

  • Cesarianas prévias (o risco aumenta com o número de cirurgias).
  • Placenta prévia ou de implantação baixa.
  • Cirurgias uterinas anteriores (curetagem, ablação endometrial, miomectomia).
  • Idade materna avançada e múltiplas gestações.
  • Uso de técnicas de reprodução assistida.

Com o aumento das taxas de cesariana em todo o mundo, a incidência de acretismo placentário tem crescido de forma significativa, tornando essencial o diagnóstico precoce e o planejamento de parto em centros especializados.

Diagnóstico e manifestações clínicas

O acretismo placentário pode ser assintomático durante a gestação, sendo detectado apenas em exames de imagem.

O ultrassom obstétrico com Doppler é o exame de triagem mais utilizado, revelando alterações como espessura uterina reduzida e vascularização aumentada.

A ressonância magnética é indicada para confirmar o diagnóstico e avaliar a profundidade da invasão e possíveis envolvimentos de outros órgãos.

O diagnóstico precoce permite o planejamento de parto seguro, em ambiente hospitalar preparado para manejo de hemorragias graves.

Tratamentos disponíveis para o acretismo placentário

O tratamento depende da gravidade do caso e do desejo de preservar o útero.

Nos casos leves, pode ser possível manter o órgão com controle do sangramento.

Já nas formas graves, a histerectomia periparto ainda é o padrão em muitos centros.

Entretanto, procedimentos minimamente invasivos, como a embolização endovascular, vêm ganhando destaque por oferecer controle eficaz da hemorragia com preservação uterina.

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O papel da embolização endovascular no controle da hemorragia

A embolização das artérias uterinas é uma técnica minimamente invasiva usada para controlar o sangramento em casos de acretismo placentário.

O procedimento é realizado por um radiologista intervencionista antes, durante ou após o parto, bloqueando temporariamente o fluxo sanguíneo uterino.

Quando o bebê é retirado, o profissional aciona o bloqueio para reduzir a perda sanguínea.

Em casos de emergência, a embolização é feita rapidamente com micropartículas ou espirais metálicas, que interrompem o fluxo nos vasos lesionados.

Estudos europeus recentes demonstraram que a embolização preventiva reduz em até 2 litros a perda de sangue durante o parto e aumenta as chances de preservação uterina em mais de 70% dos casos.

Vantagens da embolização

  • Menor perda sanguínea e necessidade de transfusões.
  • Redução do tempo de internação.
  • Menor risco de lesões urinárias e intestinais.
  • Recuperação mais rápida e menos complicações.

Complicações e recuperação após a embolização

A embolização é segura, mas pode causar efeitos leves, como dor pélvica nas primeiras 48 horas, febre baixa e fadiga (síndrome pós-embolização).

Casos raros envolvem infecção uterina ou hematomas na região da punção.

A paciente costuma permanecer internada entre 24 e 72 horas, com boa recuperação e manutenção da função uterina normal após o procedimento.

Conclusão

O acretismo placentário é uma das causas mais graves de hemorragia obstétrica e requer diagnóstico precoce e manejo especializado.

Com o avanço da radiologia intervencionista, a embolização endovascular tornou-se uma alternativa moderna, segura e eficaz, capaz de reduzir o risco de histerectomia e preservar a fertilidade feminina.

O retorno do tratamento depende da atuação integrada entre obstetras, anestesistas e radiologistas intervencionistas, garantindo segurança e melhores resultados para a paciente e o bebê. Saiba mais!


Dr. Marcelo Giusti
Especialista em Cirurgia Vascular e Endovascular
Radiologia Intervencionista
(11) 99769-7817
Rua Domingos de Morais, 2781 – 8º andar, sala 804 – Vila Mariana – São Paulo