A embolização de miomas uterinos, também chamada de embolização das artérias uterinas, é atualmente uma das principais alternativas minimamente invasivas para o tratamento dos miomas
Que se trata de tumores benignos extremamente comuns, presentes em até 50% das mulheres em idade reprodutiva, muitas vezes de forma assintomática.
Quando sintomáticos, os miomas podem causar sangramento menstrual intenso, dor pélvica, aumento do volume abdominal e até infertilidade, impactando significativamente a qualidade de vida.
Uma das dúvidas mais comuns entre as pacientes é justamente sobre a recuperação após o procedimento.
Afinal, como é o pós-operatório da embolização de miomas uterinos? Quanto tempo leva para voltar às atividades? Existe muita dor?
Neste artigo, você vai entender em profundidade como funciona a recuperação, quais sintomas podem ocorrer nos primeiros dias e quais são as vantagens da embolização em comparação aos tratamentos cirúrgicos convencionais.
O que é a embolização de miomas uterinos?
A embolização de miomas uterinos é um procedimento minimamente invasivo realizado por um radiologista intervencionista, visando reduzir ou eliminar os miomas sem necessidade de cirurgia aberta. Ou seja, sem remover cirurgicamente o útero.
O princípio do tratamento é relativamente simples: os miomas dependem de um suprimento sanguíneo abundante para crescer.
Ao bloquear esse fluxo sanguíneo, eles entram em processo de degeneração e reduzem progressivamente de tamanho, o que também reduz seus sintomas.
A característica minimamente invasiva é justamente um dos grandes diferenciais da técnica, permitindo recuperação mais rápida e menos agressiva.
Como é feito o procedimento?
O procedimento é realizado mediante a uma pequena punção, geralmente na artéria da virilha.
Por essa via, um cateter fino é guiado até as artérias uterinas com auxílio de imagens de raio-X em tempo real.
Quando os vasos que alimentam os miomas são identificados, pequenas partículas chamadas microesferas são injetadas para bloquear seletivamente o fluxo sanguíneo da região, preservando o útero saudável.
A embolização costuma durar cerca de 2 horas e normalmente pode ser feita apenas com sedação, sem necessidade de anestesia geral.
Como é a recuperação após a embolização de miomas uterinos?
A recuperação após a embolização de miomas uterinos costuma ser mais rápida e menos agressiva do que a cirurgia convencional.
No entanto, é importante entender que o procedimento não é totalmente isento de sintomas nos primeiros dias.
Primeiras 24 a 72 horas
Nas primeiras 24 horas, uma dor tipo cólica pode ser intensa e necessitar de analgésicos para controle.
Apesar disso, o alívio espontâneo costuma ocorrer progressivamente em até 72 horas.
Algumas pacientes também podem apresentar:
- Náuseas;
- Mal-estar;
- Febre baixa.
Esse conjunto de sintomas é esperado e recebe o nome de síndrome pós-embolização.
Quanto tempo demora para voltar à rotina?
Um dos principais benefícios da embolização de miomas uterinos é justamente a recuperação mais rápida quando comparada à cirurgia aberta.
O retorno gradual às atividades leves geralmente acontece ainda na primeira semana.
Após cerca de 1 a 2 semanas, a maioria das pacientes já consegue retornar ao trabalho e percebe melhora progressiva dos sintomas menstruais.
Essa recuperação acelerada é um dos fatores que mais contribuem para a satisfação das pacientes com o procedimento.
Embora possa causar desconforto temporário, normalmente é controlado com medicações e acompanhamento médico.
Quando os sintomas dos miomas começam a melhorar?
A melhora dos sintomas ocorre de forma gradual.
Ao longo dos meses seguintes à embolização, há melhora significativa:
- Do sangramento menstrual;
- Da dor pélvica;
- Da sensação de pressão abdominal.
Além disso, estudos clínicos demonstram redução do tamanho uterino em até 40–60% em alguns casos.
Embolização x cirurgia: como fica a recuperação?
Historicamente, o tratamento padrão dos miomas sempre foi cirúrgico, variando entre a retirada dos miomas (miomectomia) ou a retirada completa do útero (histerectomia).
No entanto, estudos científicos recentes mostram que a embolização vem se consolidando como uma alternativa eficaz em muitos casos.
Comparação do tempo de recuperação
Aspecto |
Embolização de Miomas Uterinos |
Cirurgia Tradicional |
Procedimento |
Minimamente invasivo |
Cirurgia aberta/laparoscópica |
Tempo de internação |
Cerca de 1 dia |
4 a 5 dias |
Recuperação |
Mais rápida |
Mais lenta |
Cortes cirúrgicos |
Não |
Sim |
Retorno às atividades |
1 a 2 semanas |
Semanas a meses |
A embolização apresenta clara vantagem em relação ao tempo de internação e ao retorno às atividades.
Controle dos sintomas e qualidade de vida
Em termos de alívio dos sintomas, os resultados são bastante positivos.
A embolização promove melhora eficaz do sangramento e da dor, com estudos mostrando melhora semelhante na qualidade de vida quando comparada à cirurgia.
Além disso, até 82% das pacientes afirmam que recomendariam o procedimento para amigas e familiares.
A embolização é segura?
A embolização de miomas uterinos apresenta menos complicações em comparação à miomectomia.
Por ser minimamente invasiva, evita riscos típicos da cirurgia aberta, como:
- Grandes incisões;
- Sangramento importante;
- Infecções cirúrgicas.
Embora exista uma maior taxa de reintervenção ao longo dos anos, a embolização não impede a realização de outras cirurgias futuramente, caso necessário.
Quais mulheres mais se beneficiam da embolização?
A embolização não é o melhor tratamento para todas as mulheres e essa decisão deve ser individualizada.
A técnica tende a ser mais vantajosa para mulheres que:
- Têm miomas sintomáticos;
- Desejam evitar cirurgia;
- Querem preservar o útero;
- Possuem múltiplos miomas;
- Têm contraindicação cirúrgica ou maior risco anestésico.
Já em alguns cenários, a avaliação deve ser mais cautelosa, especialmente em mulheres com desejo de gravidez futura.
Recuperação mais rápida e menos invasiva mudaram o tratamento dos miomas
A embolização de miomas uterinos representa uma verdadeira revolução no tratamento dessa condição tão comum.
Os dados científicos mostram que suas principais vantagens estão no:
- Menor tempo de recuperação;
- Menor agressividade;
- Boa eficácia clínica;
- Preservação do útero;
- Controle eficaz dos sintomas.
Mais do que escolher o “melhor tratamento”, o mais importante é definir o tratamento mais adequado para o perfil de cada mulher, considerando sintomas, idade, desejo reprodutivo e preferências pessoais.
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Dr. Marcelo Giusti | CRM-SP 132068
Cirurgião Vascular e Endovascular | RQE 52453
Radiologista Intervencionista | RQE 59003





