O acretismo placentário é uma das complicações obstétricas mais graves da gestação moderna.
Nas últimas décadas, fatores como idade materna avançada, aumento das taxas de cesariana e maior uso de técnicas de reprodução assistida elevaram significativamente a incidência dessa condição.
Mas afinal, idade materna avançada é fator de risco para acretismo placentário?
A resposta é sim, e compreender esse risco é essencial para prevenir complicações graves, planejar a gestação e aumentar a segurança no parto.
ASSISTA: Acretismo Placentário: diagnóstico e tratamento!
O que é o Acretismo Placentário?
O acretismo placentário ocorre quando a placenta se fixa de forma anormalmente profunda na parede do útero, impedindo que ela se desprenda espontaneamente após o parto. Esse espectro de doenças é dividido em três graus:
1. Placenta Acreta
As vilosidades placentárias aderem superficialmente ao miométrio.
2. Placenta Increta
Há invasão mais profunda, penetrando o músculo uterino.
3. Placenta Percreta
Forma mais grave, com invasão além do útero, podendo alcançar bexiga, intestino ou outros órgãos.
Em uma gestação normal, a placenta deveria se aderir apenas ao endométrio, a camada interna do útero.
No acretismo placentário, essa barreira está ausente ou danificada, permitindo invasão anormal.
Quais problemas o acretismo placentário pode causar?
O acretismo placentário é potencialmente fatal se não for diagnosticado e tratado adequadamente. As principais complicações incluem:
1. Hemorragia grave no parto
O útero não consegue contrair para fechar os vasos sanguíneos, gerando sangramento intenso e rápido.
2. Necessidade de transfusões múltiplas
Muitas pacientes precisam de transfusões de sangue, plasma e plaquetas.
3. Risco aumentado de histerectomia
A retirada do útero pode ser necessária para controlar a hemorragia, especialmente nos casos increta e percreta.
4. Necessidade de internação em UTI
Tanto a mãe quanto o bebê podem precisar de cuidados intensivos.
5. Riscos fetais
Prematuridade, sofrimento fetal e necessidade de UTI neonatal são comuns.
Devido a sua gravidade, o acretismo placentário exige manejo multidisciplinar, envolvendo obstetras, anestesistas, intensivistas e, muitas vezes, cirurgiões vasculares.
Idade materna avançada é fator de risco para acretismo placentário?
Sim. A idade materna acima de 35 anos é um dos fatores que aumentam o risco de acretismo placentário.
Por que isso ocorre?
Com o avanço da idade, o útero passa por alterações estruturais que favorecem:
- Implantação placentária mais profunda;
- Falha na formação da zona de nitabuch (camada que impede invasão excessiva da placenta);
- Maior chance de placenta baixa ou placenta prévia;
- Presença de cicatrizes ou áreas de endométrio mais fino.
Além disso, mulheres com idade materna avançada têm maior probabilidade de ter:
- Gestações prévias;
- Cesáreas anteriores;
- Miomas uterinos;
- Histórico de curetagens ou cirurgias uterinas;
- Exposição a técnicas de reprodução assistida.
Todos esses fatores aumentam a vulnerabilidade para o acretismo placentário.
Outros fatores de risco importantes para acretismo placentário
Embora a idade elevada seja um fator relevante, ela atua em conjunto com outros elementos:
1. Cesarianas prévias (principal fator de risco)
Quanto mais cesarianas, maior o risco. Placenta prévia + 2 cesáreas → risco de 40% a 60%.
2. Placenta prévia
Quando a placenta cobre o colo uterino, o risco aumenta fortemente, especialmente sobre cicatriz de cesariana.
3. Cirurgias uterinas prévias
Incluindo:
- Miomectomia;
- Curetagens;
- Cirurgias para endometriose;
- Histeroscopia cirúrgica.
4. Multiparidade
Quanto mais gestações, maior o risco.
5. Miomas uterinos
Podem alterar a estrutura da parede uterina.
6. Técnicas de reprodução assistida
Alguns estudos sugerem maior risco de implantação anormal da placenta.
7. Tabagismo
Prejudica a vascularização uterina.
O cenário de maior risco é a combinação: placenta prévia + cesariana prévia + idade materna avançada.
Quais são os sintomas de acretismo placentário?
Na maioria das vezes, o acretismo placentário não causa sintomas durante a gestação.
O diagnóstico depende de:
- Ultrassom especializado (2º e 3º trimestre);
- Ressonância magnética, quando há dúvida ou suspeita de invasão profunda.
Sangramentos na gravidez podem levantar suspeita, mas não são obrigatórios.
O que pode acontecer se o acretismo placentário não for diagnosticado?
Sem diagnóstico e planejamento, os riscos aumentam:
- Hemorragia grave;
- Choque hemorrágico;
- Necessidade urgente de transfusão;
- Histerectomia de emergência;
- Parto prematuro;
- Riscos neonatais graves.
Identificar o Acretismo antes do parto é determinante para salvar vidas.
Como um cirurgião vascular ajuda no acretismo placentário?
O cirurgião vascular tem papel fundamental no manejo moderno dessa condição, especialmente para controle da hemorragia.
1. Oclusão temporária das artérias uterinas durante o parto
Durante cesariana programada:
- Balões são posicionados nas artérias ilíacas internas;
- Esses balões são insuflados no momento ideal;
- Isso reduz drasticamente o fluxo de sangue para o útero.
Isso permite que o obstetra trabalhe com mais segurança.
2. Embolização uterina pós-parto
Se houver sangramento persistente, o cirurgião vascular pode:
- Realizar embolização seletiva das artérias uterinas;
- Usar microesferas para bloquear o fluxo sanguíneo;
- Controlar a hemorragia sem remoção imediata do útero.
Em casos selecionados, isso pode evitar uma histerectomia.
3. Atuação emergencial
Em situações inesperadas:
- Embolização emergencial;
- Controle de sangramentos profundos;
- Tamponamento vascular.
A abordagem endovascular é rápida, eficaz e menos invasiva.
Como é feito o tratamento do acretismo placentário?
O manejo ideal inclui:
- Planejamento multidisciplinar;
- Parto cesárea programado entre 34–36 semanas;
- Avaliação detalhada por ultrassom e ressonância;
- Suporte endovascular para reduzir hemorragia;
- Preparo para histerectomia, quando necessário.
Em centros especializados, a mortalidade é extremamente baixa.
O diagnóstico precoce salva vidas!
A idade materna avançada aumenta significativamente o risco de acretismo placentário, especialmente quando associada a cesarianas prévias e placenta prévia.
Embora a condição seja grave, ela pode ser controlada com:
- Diagnóstico precoce;
- Parto em hospital preparado;
- Equipe multidisciplinar;
- Suporte endovascular especializado.
Com planejamento adequado, a segurança da gestante e do bebê aumenta de forma expressiva. Saiba mais sobre o tratamento!
–
Dr. Marcelo Giusti
Especialista em Cirurgia Vascular e Endovascular
Radiologia Intervencionista
(11) 997697817
Rua Domingos de Morais, 2781 – 8º andar, sala 804 – Vila Mariana – São Paulo





