A insuficiência venosa crônica (IVC) é uma doença vascular comum que pode afetar gravemente a qualidade de vida.
Recentemente, o presidente norte-americano Donald Trump foi diagnosticado com essa condição, trazida à tona após exibição de inchaço nos tornozelos.
Embora muitas vezes associada exclusivamente às varizes, a IVC é mais complexa e requer atenção especializada. Continue a leitura e entenda!
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O que é insuficiência venosa crônica?
A insuficiência venosa crônica ocorre quando as veias das pernas falham em transportar adequadamente o sangue de volta ao coração.
As válvulas venosas, responsáveis por impedir o refluxo, ficam enfraquecidas, resultando no acúmulo de sangue nos membros inferiores.
Isso pode levar a sintomas como inchaço, dor, alterações de pele e úlceras venosas de difícil cicatrização.
A doença é progressiva, pode começar com pequenos vasos visíveis (telangiectasias) e evoluir para quadros mais graves, com risco de infecção e comprometimento da mobilidade.
Principais manifestações da insuficiência venosa crônica
Sintomas iniciais
- Sensação de peso e cansaço nas pernas, principalmente no final do dia.
- Inchaço (edema), geralmente nos tornozelos.
- Formigamento ou queimação nos membros inferiores.
- Cãibras noturnas frequentes.
Alterações visíveis
- Varizes: veias dilatadas e tortuosas visíveis na pele.
- Vasinhos (telangiectasias): pequenos capilares aparentes sob a pele.
- Hiperpigmentação: escurecimento próximo aos tornozelos.
Manifestações avançadas
- Dermatite ocre: pele endurecida e inflamada.
- Eczema varicoso: coceira e descamação.
- Úlceras venosas: feridas crônicas difíceis de cicatrizar, com risco elevado de infecção.
Diagnóstico da insuficiência venosa crônica
O diagnóstico é clínico e complementar. O cirurgião vascular avalia tanto os sintomas quanto os sinais visíveis nas pernas.
Exames complementares:
- Eco-Doppler venoso: avalia fluxo sanguíneo, refluxos e obstruções.
- Angiografia ou tomografia: indicados para suspeita de trombose ou congestão venosa pélvica.
A congestão venosa pélvica, geralmente associada a refluxo venoso nos ovários e ilíacas, e pode causar dor pélvica crônica, sensação de peso no baixo-ventre, varizes vulvares e até varizes atípicas nas pernas.
Muitas vezes, é subdiagnosticada, pois os sintomas se confundem com outras doenças ginecológicas.
Fatores de risco da insuficiência venosa crônica
Diversos fatores contribuem para o desenvolvimento da insuficiência venosa crônica:
- Hereditariedade: histórico familiar de varizes ou IVC.
- Sexo feminino: hormonais (gestação, anticoncepcionais, terapia de reposição).
- Idade avançada: deterioração das válvulas venosas.
- Obesidade, sedentarismo e profissões que exigem ficar muito tempo em pé ou sentado.
- Histórico de trombose venosa profunda.
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Tratamentos modernos disponíveis
As opções de tratamento variam conforme a gravidade da doença e o perfil do paciente:
Tratamentos clínicos
- Meias de compressão graduada.
- Atividade física, controle de peso e alimentação saudável.
- Medicamentos flebotônicos.
Procedimentos minimamente invasivos
- Ablação térmica (EVLT e RFA): “fecha” a veia safena por energia térmica.
- Escleroterapia com espuma: injeção de uma substância esclerosante em forma de espuma, que colapsa veias doentes.
- Selantes endovenosos: fecham as veias com cola médica.
- Microcirurgias e flebectomias ambulatoriais: retiram varizes por pequenas incisões.
Cirurgia convencional
- Safenectomia: retirada da veia safena em casos antigos ou selecionados.
Tratamento da congestão venosa pélvica
O tratamento mais eficaz é endovascular, realizado por meio de dilatação (angioplastia com stent) das áreas comprimidas e embolização das veias pélvicas dilatadas com cateteres e microesferas ou espirais metálicas, promovendo o fechamento dos vasos doentes.
Trata-se de um procedimento minimamente invasivo, realizado sob anestesia local, sem cortes, com rápida recuperação e excelentes taxas de alívio da dor e dos sintomas, sendo hoje considerado o padrão-ouro no manejo dessa condição.
Prevenção e cuidados contínuos
Mesmo após tratamento, é fundamental manter:
- Peso adequado;
- Exercícios regulares;
- Meias de compressão conforme prescrição;
- Evitar longos períodos em pé ou sentado;
- Acompanhamento periódico com cirurgião vascular.
Conclusão
A insuficiência venosa crônica é mais do que uma questão estética: causa dor, inchaço, manchas e úlceras que comprometem a qualidade de vida. O diagnóstico precoce, via exame clínico e Doppler, é essencial.
Felizmente, existem tratamentos eficazes e modernos. Com avaliação adequada e conduta direcionada, é possível tratar a insuficiência venosa crônica de forma eficaz, preservando mobilidade, saúde e bem-estar. Saiba mais!
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Dr. Marcelo Giusti
Especialista em Cirurgia Vascular e Endovascular
Radiologia Intervencionista
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