O diagnóstico de mioma uterino costuma gerar muitas dúvidas e insegurança. Uma das perguntas mais frequentes é: “Vou precisar fazer uma cirurgia?”
A resposta é tranquilizadora: não. Nem todo mioma uterino precisa de cirurgia e, em muitos casos, nem mesmo de tratamento.
Atualmente, existem diferentes opções terapêuticas que devem ser individualizadas de acordo com os sintomas, o tamanho, a localização dos miomas e os objetivos de cada mulher.
Entre essas alternativas, uma das que mais tem se destacado é a embolização dos miomas uterinos, um procedimento minimamente invasivo realizado por um médico especialista em radiologia intervencionista ou cirurgia endovascular, que permite tratar os miomas sem retirar o útero e com recuperação muito mais rápida.
O que é um mioma uterino?
O mioma uterino é um tumor benigno formado pelas fibras musculares da parede do útero. Trata-se da doença benigna mais comum do aparelho reprodutor feminino.
Estima-se que até 80% das mulheres desenvolvam algum mioma ao longo da vida, embora muitas nunca apresentem sintomas.
Em outras palavras, ter um mioma não significa necessariamente estar doente ou precisar de tratamento.
Os miomas podem variar bastante de tamanho. Alguns permanecem pequenos e são descobertos apenas em exames de rotina, enquanto outros podem crescer progressivamente e provocar sintomas importantes.
Nem todo mioma uterino precisa de tratamento
Essa é uma das informações mais importantes para quem recebe esse diagnóstico.
Quando o mioma uterino é pequeno, não causa sintomas e não apresenta crescimento significativo, normalmente a melhor conduta é apenas o acompanhamento periódico com exames de imagem e avaliação ginecológica.
Muitas mulheres convivem durante toda a vida com miomas sem precisar realizar qualquer intervenção.
O tratamento passa a ser indicado principalmente quando os miomas interferem na qualidade de vida ou representam algum risco clínico.
Quando o mioma uterino precisa ser tratado?
De forma geral, o tratamento é recomendado quando surgem sintomas como:
- Sangramento menstrual intenso;
- Menstruações prolongadas;
- Anemia causada pela perda excessiva de sangue;
- Dor pélvica persistente;
- Sensação de peso na pelve;
- Dor durante as relações sexuais;
- Aumento importante do volume abdominal;
- Compressão da bexiga, causando aumento da frequência urinária;
- Compressão do intestino, provocando prisão de ventre;
- Dificuldade para engravidar em situações específicas relacionadas à localização do mioma.
Vale destacar que o tamanho isoladamente não determina a necessidade de tratamento.
Um mioma pequeno localizado dentro da cavidade uterina pode causar muito mais sintomas do que um mioma grande localizado na parte externa do útero.
Por isso, a decisão sempre deve considerar a combinação entre sintomas, localização, tamanho dos miomas, idade da paciente e desejo reprodutivo.
Quais são os principais tratamentos para mioma uterino?
Atualmente existem diversas possibilidades terapêuticas para o mioma uterino.
Tratamento medicamentoso
Medicamentos hormonais, anti-inflamatórios e substâncias que reduzem o sangramento podem aliviar temporariamente os sintomas.
Entretanto, geralmente não eliminam os miomas e funcionam como controle temporário. Além disso, muitos medicamentos perdem o efeito após sua suspensão.
Tratamentos cirúrgicos
As principais cirurgias são:
- Miomectomia: retira apenas alguns miomas, preservando o útero. É indicada principalmente para mulheres que desejam engravidar em situações específicas.
- Histerectomia: consiste na retirada completa do útero e representa o tratamento definitivo para os miomas, porém elimina a possibilidade de gestação futura.
Embora continuem sendo excelentes opções em casos selecionados, atualmente muitas pacientes que antes seriam encaminhadas diretamente para cirurgia podem ser tratadas com técnicas menos invasivas.
Embolização dos miomas: uma das maiores evoluções no tratamento
Nos últimos anos, a embolização de miomas uterinos tornou-se uma das principais alternativas para mulheres com miomas sintomáticos.
É importante esclarecer um ponto que muitas pacientes desconhecem: o tratamento não é realizado apenas pelo ginecologista.
A embolização é feita por um médico especialista em Radiologia Intervencionista ou Cirurgia Endovascular, profissional capacitado para realizar procedimentos minimamente invasivos guiados por imagem.
Esse especialista utiliza técnicas semelhantes às do cateterismo para acessar as artérias uterinas e tratar os miomas sem necessidade de cirurgia aberta.
O objetivo é interromper seletivamente o fluxo sanguíneo que alimenta os miomas.
Como eles dependem intensamente dessa circulação para crescer, passam por um processo gradual de redução de tamanho, enquanto o restante do útero continua recebendo irrigação por outras pequenas artérias, preservando sua função.
Como é feita a embolização?
A embolização é um procedimento minimamente invasivo.Não há necessidade de cortes, pontos ou retirada do útero.
O médico realiza uma pequena punção na artéria do punho ou da virilha, semelhante ao acesso utilizado em um cateterismo cardíaco.
Por meio desse acesso, um cateter fino é conduzido até as artérias uterinas com auxílio de imagens em tempo real.
Em seguida, são injetadas microesferas biocompatíveis que bloqueiam apenas os vasos responsáveis por nutrir os miomas.
O procedimento costuma durar entre uma e duas horas.
Como é a recuperação?
Uma das principais vantagens da embolização é justamente sua recuperação.
Após o procedimento, é esperado que a paciente apresente cólicas semelhantes às menstruais durante os primeiros dias, controladas com analgésicos e anti-inflamatórios.
A maioria das pacientes recebe alta no dia seguinte.
Enquanto cirurgias convencionais frequentemente exigem várias semanas de recuperação, muitas mulheres submetidas à embolização conseguem retornar às atividades leves em aproximadamente uma semana.
Quais são as vantagens da embolização?
Diversos estudos científicos demonstram excelentes resultados da embolização no tratamento dos miomas.
Os dados mostram que aproximadamente:
- 90% das mulheres apresentam melhora importante do sangramento menstrual;
- 80% a 90% referem melhora significativa da dor e da sensação de pressão pélvica;
- Há redução média entre 40% e 60% do volume dos miomas nos primeiros meses após o procedimento.
Na prática, isso significa que, mesmo sem retirar completamente os miomas, sua redução costuma ser suficiente para aliviar os sintomas e devolver qualidade de vida.
Outro aspecto importante é o elevado índice de satisfação das pacientes, frequentemente superior a 85%.
Quais mulheres mais se beneficiam da embolização?
Embora cada caso deva ser analisado individualmente, costumam apresentar excelentes resultados mulheres que:
- Possuem múltiplos miomas;
- Desejam preservar o útero;
- Querem evitar uma cirurgia de grande porte;
- Sofrem com sangramento intenso e anemia;
- Apresentam aumento importante do volume abdominal;
- Possuem contraindicação para cirurgias convencionais;
- Desejam recuperação rápida e retorno precoce às atividades.
A embolização também pode ser considerada em mulheres que desejam engravidar, embora essa decisão deva ser tomada em conjunto entre o ginecologista e o radiologista intervencionista, pois alguns casos específicos apresentam melhores resultados com a miomectomia.
O tratamento ideal é sempre individualizado
A ideia de que todo mioma uterino precisa ser retirado por cirurgia ficou no passado.
Hoje, a medicina oferece tratamentos cada vez mais personalizados e menos invasivos.
A embolização uterina destaca-se como uma das maiores evoluções no tratamento dos miomas, oferecendo elevada eficácia no controle dos sintomas, preservação do útero, recuperação rápida e menor impacto sobre a rotina da paciente.
Para muitas mulheres, especialmente aquelas que apresentam múltiplos miomas, sangramento intenso ou desejam evitar uma cirurgia convencional, a embolização representa uma excelente alternativa.
O mais importante é que a paciente conheça todas as opções disponíveis antes de decidir qual tratamento seguir, sempre com avaliação conjunta entre o ginecologista e o especialista em radiologia intervencionista ou cirurgia endovascular
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Dr. Marcelo Giusti | CRM-SP 132068
Cirurgião Vascular e Endovascular | RQE 52453
Radiologista Intervencionista | RQE 59003





