Blog

Acretismo placentário; embolização - Dr. Marcelo Giusti

Acretismo placentário: como a embolização pode proteger a vida da gestante

Acretismo placentário e embolização são temas fundamentais quando falamos sobre segurança materna em gestações de maior risco.

Receber o diagnóstico de acretismo placentário durante a gravidez pode gerar medo e muitas dúvidas, o que é completamente compreensível.

No entanto, com diagnóstico precoce, planejamento adequado do parto e técnicas modernas como a embolização, é possível reduzir significativamente os riscos e aumentar a segurança da mãe durante o nascimento do bebê.

O que é acretismo placentário?

O acretismo placentário é uma alteração na forma como a placenta se fixa à parede do útero.

Em uma gestação normal, a placenta se implanta apenas na camada mais superficial da cavidade uterina e se desprende naturalmente após o parto.

Nos casos de acretismo, porém, a placenta invade de forma mais profunda a parede uterina, dificultando sua separação no momento do nascimento do bebê.

Dependendo da profundidade dessa invasão, o quadro pode ser classificado em três tipos:

  • Placenta accreta: aderência mais superficial da placenta ao útero;
  • Placenta increta: invasão mais profunda no músculo uterino;
  • Placenta percreta: quando a placenta ultrapassa o útero e pode atingir órgãos vizinhos.

Essas variações fazem parte do chamado espectro do acretismo placentário, uma condição que exige acompanhamento médico especializado.

Por que o acretismo placentário pode ser grave?

O principal risco do acretismo placentário é a ocorrência de hemorragia intensa durante o parto.

Como a placenta está profundamente aderida à parede uterina, sua retirada pode provocar sangramento abundante e difícil de controlar.

Em alguns casos, para salvar a vida da gestante, pode ser necessária a retirada do útero (histerectomia).

Por esse motivo, o planejamento antecipado do parto em hospital especializado é essencial para reduzir riscos.

Principais causas e fatores de risco

O principal fator de risco para o desenvolvimento do acretismo placentário é a presença de cicatrizes no útero.

Essas cicatrizes podem ocorrer após:

  • Cesarianas anteriores;
  • Cirurgias uterinas, como retirada de miomas;
  • Curetagens uterinas repetidas.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o aumento das taxas de cesariana nas últimas décadas está diretamente relacionado ao crescimento dos casos de acretismo placentário em todo o mundo.

Outros fatores que podem aumentar o risco incluem:

É importante lembrar que ter fatores de risco não significa necessariamente desenvolver a condição, mas exige acompanhamento obstétrico mais atento.

Como é feito o diagnóstico do acretismo placentário?

Na maioria das vezes, o diagnóstico é feito ainda durante o pré-natal por meio de exames de imagem, como:

  • Ultrassonografia com Doppler;
  • Ressonância magnética, quando necessário.

O diagnóstico precoce é extremamente importante, pois permite que a equipe médica planeje o parto em ambiente hospitalar adequado, com especialistas preparados para lidar com possíveis complicações.

Como a embolização ajuda no Acretismo Placentário?

A embolização uterina é um procedimento minimamente invasivo que pode ser utilizado durante a cesariana em casos selecionados de acretismo placentário.

Seu objetivo é reduzir temporariamente o fluxo sanguíneo para o útero, diminuindo o risco de hemorragia grave no momento do parto.

Ao reduzir a circulação sanguínea na região da placenta, a embolização pode:

  • Diminuir o risco de sangramento excessivo;
  • Reduzir a necessidade de transfusão sanguínea;
  • Aumentar a segurança da cirurgia;
  • Em alguns casos, contribuir para estratégias de preservação do útero.

A indicação do procedimento deve sempre ser avaliada individualmente pela equipe médica.

Como é realizado o procedimento de embolização?

A embolização é realizada por um especialista em radiologia intervencionista ou cirurgia endovascular, geralmente durante a própria cesariana.

O procedimento acontece da seguinte forma:

  1. Após a anestesia, é realizada uma pequena punção na região da virilha;
  2. Um cateter fino é introduzido e guiado até as artérias uterinas com auxílio de exames de imagem em tempo real;
  3. Um pequeno balão na ponta do cateter pode ser inflado para bloquear temporariamente o fluxo sanguíneo para a placenta;
  4. Em alguns casos, também podem ser utilizadas micropartículas para ajudar no controle do sangramento.

Essa técnica permite que a equipe obstétrica realize a cesariana com menor risco de hemorragia descontrolada.

Como é um procedimento minimamente invasivo, costuma ser bem tolerado pelas pacientes.

A complicação mais comum, embora rara, é a formação de um pequeno hematoma na região da punção.

Quando realizado por equipe experiente, as complicações graves são pouco frequentes.

O que fazer ao receber o diagnóstico?

Receber o diagnóstico de acretismo placentário pode gerar ansiedade, mas o primeiro passo é manter a calma.

O diagnóstico precoce é um fator extremamente positivo, pois permite planejamento adequado do parto.

As principais recomendações são:

  • Realizar acompanhamento em hospital de referência;
  • Contar com equipe multidisciplinar (obstetra, anestesista e radiologista intervencionista);
  • Planejar cuidadosamente o momento e o local do parto.

Hoje, a medicina dispõe de recursos modernos que aumentam significativamente a segurança materna nesses casos.

A importância do planejamento no acretismo placentário

O tratamento do acretismo placentário exige organização e planejamento cuidadoso da equipe médica.

Cada caso deve ser avaliado individualmente, levando em consideração:

  • Tipo de acretismo;
  • Histórico obstétrico da paciente;
  • Presença de placenta prévia;
  • Condições clínicas da gestante.

Com o planejamento adequado e a utilização de técnicas modernas como a embolização, é possível reduzir riscos e aumentar as chances de um parto mais seguro.

Conclusão: informação e planejamento salvam vidas

O acretismo placentário é uma condição séria que exige acompanhamento especializado durante a gestação.

Felizmente, os avanços da medicina trouxeram novas estratégias para aumentar a segurança materna.

Entre elas, a embolização uterina se destaca como uma ferramenta importante no controle do sangramento durante o parto.

Com diagnóstico precoce, equipe experiente e planejamento adequado, é possível reduzir complicações e proteger a vida da gestante.

Informação de qualidade, acompanhamento médico especializado e preparo adequado são os pilares para enfrentar essa condição com mais segurança e tranquilidade.

Dr. Marcelo Giusti | CRM-SP 132068
Cirurgião Vascular e Endovascular | RQE 52453
Radiologista Intervencionista | RQE 59003