A varicocele em adolescentes é uma alteração relativamente comum durante a puberdade, mas seu diagnóstico não significa que seja necessário realizar uma cirurgia ou outro procedimento imediatamente.
Em muitos casos, o acompanhamento médico é suficiente. Entretanto, quando a varicocele interfere no crescimento testicular, provoca dor persistente ou apresenta alterações relacionadas à fertilidade, o tratamento pode ser indicado.
Entre as alternativas disponíveis está a embolização da varicocele, técnica minimamente invasiva que permite tratar as veias comprometidas sem realizar cortes na região escrotal.
Mas como saber quando o adolescente realmente precisa de tratamento? E em quais situações a embolização pode ser uma boa escolha?
O que é varicocele e por que ela aparece na adolescência?
A varicocele é caracterizada pela dilatação das veias responsáveis pela drenagem do sangue dos testículos.
Ela ocorre quando o sangue encontra dificuldade para retornar adequadamente à circulação, geralmente devido a alterações no funcionamento das válvulas venosas e às características anatômicas desses vasos.
A condição é mais frequente no lado esquerdo, embora também possa ocorrer nos dois testículos.
Durante a puberdade, o crescimento acelerado dos testículos pode tornar a varicocele mais evidente.
É importante esclarecer que a varicocele não é causada por masturbação, atividade física, relações sexuais ou falta de higiene.
Quais são os sintomas da varicocele em adolescentes?
Grande parte dos adolescentes com varicocele não apresenta sintomas.
Quando existem manifestações, elas podem incluir:
- Sensação de peso no escroto;
- Dor ou desconforto após atividades físicas;
- Incômodo após permanecer muito tempo em pé;
- Veias dilatadas e visíveis na região escrotal;
- Diferença de tamanho entre os testículos.
Entretanto, um dos sinais que mais merecem atenção é o crescimento inadequado do testículo afetado, mesmo quando não existe dor.
Por isso, o acompanhamento durante a adolescência é importante para identificar possíveis alterações no desenvolvimento testicular.
Quando a varicocele em adolescentes precisa de tratamento?
Nem todo adolescente com varicocele precisa ser tratado. A decisão depende dos sintomas, do desenvolvimento dos testículos e dos resultados da avaliação médica.
Segundo as recomendações da European Association of Urology (EAU), uma das principais indicações é a presença de um testículo persistentemente menor, especialmente quando a diferença de volume ultrapassa aproximadamente 20%.
Essa alteração deve ser confirmada em avaliações sucessivas.
Outras situações que podem justificar o tratamento incluem:
- Dor persistente que não melhora com medidas conservadoras;
- Alterações recorrentes no espermograma, quando sua realização é apropriada;
- Varicocele bilateral clinicamente evidente;
- Outras condições que possam comprometer a função testicular.
A investigação pode envolver exame físico, ultrassonografia com Doppler e, dependendo da maturidade puberal, análise do sêmen.
Como funciona a embolização da varicocele?
A embolização é um procedimento endovascular realizado por meio de uma pequena punção em uma veia.
Com auxílio de imagens de raio-x em tempo real, o médico conduz um cateter até a veia responsável pelo refluxo sanguíneo.
Em seguida, utiliza materiais específicos, como microespirais (coils) ou agentes esclerosantes, para interromper o fluxo anormal.
Dessa forma, o sangue passa a utilizar outras veias saudáveis para retornar à circulação.
A principal diferença em relação à cirurgia convencional é que a embolização não exige uma incisão na região inguinal ou escrotal.
Quais adolescentes podem se beneficiar da embolização?
A embolização pode ser considerada quando existe indicação de tratamento e a anatomia venosa permite realizar o procedimento com segurança.
Algumas situações merecem destaque.
Adolescentes com indicação de tratamento e anatomia favorável
Quando há sinais objetivos de comprometimento testicular ou sintomas relevantes, a embolização pode representar uma alternativa menos invasiva à cirurgia.
Pacientes com varicocele recorrente
A embolização também pode ser interessante quando a varicocele reaparece depois de uma cirurgia.
Nesses casos, o tratamento endovascular permite abordar as veias comprometidas sem necessariamente realizar uma nova operação na região anteriormente manipulada.
Pacientes que buscam uma recuperação mais rápida
Por não exigir uma incisão cirúrgica convencional, a embolização costuma proporcionar recuperação relativamente rápida e menor trauma local.
Entretanto, a escolha depende das características clínicas e anatômicas de cada paciente.
Embolização ou cirurgia: qual é o melhor tratamento?
Não existe uma técnica universalmente superior para todos os adolescentes.
A cirurgia, especialmente a microcirurgia com preservação de artérias e vasos linfáticos, continua sendo uma opção importante.
A embolização apresenta vantagens relacionadas à menor invasividade e à possibilidade de tratar determinadas recorrências.
Por outro lado, alguns estudos identificam maior possibilidade de persistência ou reaparecimento da varicocele após determinadas técnicas de embolização.
A escolha deve considerar a experiência da equipe, a anatomia venosa, os sintomas e as necessidades individuais.
A embolização da varicocele apresenta riscos?
Embora seja considerada uma alternativa segura em pacientes selecionados, a embolização não está livre de riscos.
Podem ocorrer desconforto temporário, hematoma no local da punção, reações ao contraste, dificuldade de acesso à veia e persistência ou recorrência da varicocele.
Complicações relacionadas aos materiais utilizados também são possíveis, embora incomuns.
Por isso, a indicação deve ser feita após avaliação especializada.
Varicocele na adolescência pode causar infertilidade?
A varicocele pode estar associada a alterações no desenvolvimento testicular e na produção de espermatozoides.
Entretanto, ter varicocele na adolescência não significa que o paciente será infértil no futuro.
Muitos adolescentes apresentam desenvolvimento normal e não precisam de intervenção.
O acompanhamento permite identificar aqueles que realmente podem se beneficiar do tratamento, evitando procedimentos desnecessários.
Quando procurar avaliação especializada?
A presença de dor escrotal recorrente, veias dilatadas ou diferença no tamanho dos testículos merece investigação.
O mais importante é compreender que o diagnóstico de varicocele não representa, automaticamente, uma indicação de tratamento.
Quando existem alterações persistentes, a embolização da varicocele pode ser uma alternativa minimamente invasiva para adolescentes selecionados.
A avaliação conjunta entre especialistas permite considerar o estágio da puberdade, o desenvolvimento testicular e as características vasculares antes de definir a melhor conduta.
Agende uma avaliação especializada para compreender as possibilidades de tratamento e identificar a abordagem mais adequada para cada caso.
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Dr. Marcelo Giusti | CRM-SP 132068
Cirurgião Vascular e Endovascular | RQE 52453
Radiologista Intervencionista | RQE 59003





