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aneurisma de aorta

Como reduzir o risco de aneurisma de aorta?

O aneurisma de aorta é uma condição que costuma evoluir de forma silenciosa, sem causar sintomas por muitos anos.

Justamente por isso, é considerada uma das doenças vasculares mais perigosas.

Em muitos casos, a primeira manifestação acontece já com uma complicação grave, como a ruptura da artéria, situação que representa uma emergência médica e pode colocar a vida em risco em poucos minutos.

No entanto, grande parte dos fatores de risco pode ser controlada e, quando o aneurisma de aorta é identificado precocemente, existem tratamentos modernos que reduzem significativamente o risco de complicações.

Neste artigo, você vai entender o que é um aneurisma de aorta, quais são os principais fatores de risco, como prevenir essa doença e quando o tratamento pode ser necessário.

O que é um aneurisma de aorta?

A aorta é a maior artéria do corpo humano. Ela sai diretamente do coração e leva sangue rico em oxigênio para todos os órgãos.

Imagine uma mangueira de jardim. Se um determinado trecho da mangueira ficar enfraquecido, a pressão da água faz com que essa região comece a dilatar, formando uma espécie de “balão”. O aneurisma acontece de forma muito semelhante.

No aneurisma de aorta, uma parte da parede da artéria perde resistência e vai aumentando de diâmetro lentamente ao longo dos anos.

Quanto maior essa dilatação, maior a tensão sobre a parede do vaso e maior o risco de ocorrer uma ruptura ou uma dissecção (delaminação da parede da aorta).

Os aneurismas podem ocorrer em diferentes segmentos da aorta, e cada localização possui características específicas.

Porém, todos compartilham o mesmo problema: o enfraquecimento da parede arterial. Por esse motivo, acompanhar o crescimento do aneurisma é fundamental.

Quais são os sintomas do aneurisma de aorta?

Um dos aspectos mais preocupantes dessa doença é que ela costuma ser completamente silenciosa.

Estima-se que a maioria dos pacientes descubra o aneurisma por acaso, durante exames realizados por outro motivo, como ultrassonografia, tomografia ou ressonância magnética.

Quando aparecem sintomas, eles geralmente indicam que o aneurisma já atingiu um tamanho importante. Dependendo da localização, podem surgir:

  • Dor abdominal persistente;
  • Dor nas costas;
  • Sensação de pulsação no abdome;
  • Dor no peito;
  • Falta de ar;
  • Rouquidão;
  • Dificuldade para engolir.

A ruptura é a complicação mais grave

O maior perigo acontece quando ocorre a ruptura do aneurisma, considerada uma das emergências vasculares mais graves da medicina.

Quando isso acontece, a parede da aorta se rompe e ocorre uma hemorragia interna intensa. Os sintomas costumam surgir de forma súbita:

  • Dor extremamente forte;
  • Queda importante da pressão arterial;
  • Suor frio;
  • Tontura;
  • Perda de consciência;
  • Choque hemorrágico.

Mesmo com atendimento médico imediato, a mortalidade permanece muito elevada.

Estudos mostram que aproximadamente 80% a 90% dos pacientes com ruptura de aneurisma da aorta abdominal não sobrevivem, seja porque falecem antes de chegar ao hospital ou durante o tratamento de emergência.

É justamente por esse motivo que o diagnóstico precoce salva vidas.

Quem tem maior risco de desenvolver aneurisma de aorta?

Conhecer os fatores de risco é uma das principais formas de prevenção.

Tabagismo

O cigarro é considerado o principal fator de risco modificável.

Quem fuma apresenta risco várias vezes maior de desenvolver aneurisma quando comparado aos não fumantes.

Além disso, o tabagismo acelera o crescimento do aneurisma e aumenta o risco de ruptura.

Mesmo quem parou de fumar ainda apresenta risco superior ao da população que nunca fumou, embora esse risco diminua progressivamente com o passar dos anos.

Idade

A doença é muito mais frequente após os 65 anos.

O envelhecimento natural provoca perda da elasticidade das artérias, favorecendo o aparecimento da dilatação.

Sexo masculino

Os homens apresentam incidência significativamente maior de aneurisma de aorta abdominal.

Embora as mulheres desenvolvam aneurismas com menor frequência, quando isso acontece existe tendência à ruptura em diâmetros menores, tornando o acompanhamento igualmente importante.

Hipertensão arterial

A pressão alta exerce uma força constante sobre a parede da aorta.

Ao longo dos anos, isso favorece o enfraquecimento do vaso e aumenta o risco de crescimento do aneurisma.

Controlar adequadamente a pressão arterial é uma das medidas mais importantes de prevenção.

Histórico familiar

Ter pai, mãe ou irmãos que tiveram aneurisma aumenta bastante o risco, sugerindo importante influência genética no desenvolvimento da doença.

Colesterol elevado e aterosclerose

O acúmulo de placas de gordura nas artérias está frequentemente associado ao aneurisma, especialmente na aorta abdominal.

Como reduzir o risco de aneurisma de aorta?

Embora nem todos os fatores possam ser modificados, diversas medidas reduzem significativamente o risco de desenvolver a doença ou impedir sua progressão.

Pare de fumar

Essa é, provavelmente, a medida isolada mais importante.

Abandonar o cigarro reduz a velocidade de crescimento do aneurisma e diminui o risco cardiovascular como um todo.

Nunca é tarde para parar de fumar.

Controle rigorosamente a pressão arterial

Manter a pressão dentro das metas recomendadas reduz a sobrecarga sobre a parede da aorta.

Para isso, podem ser necessários medicamentos, alimentação com pouco sal, atividade física e perda de peso.

Controle o colesterol

Uma alimentação rica em frutas, verduras, fibras e gorduras saudáveis ajuda a reduzir a progressão da aterosclerose.

Quando indicado pelo médico, o uso de estatinas também pode ser necessário.

Mantenha atividade física regular

Exercícios aeróbicos moderados contribuem para controlar pressão arterial, diabetes, colesterol e peso corporal.

Pacientes que já possuem aneurisma devem receber orientação individualizada antes de iniciar atividades de alta intensidade.

Controle o diabetes

Embora a relação entre diabetes e aneurisma seja complexa, manter um bom controle glicêmico reduz o risco cardiovascular global.

Faça acompanhamento médico

Pacientes com fatores de risco importantes devem discutir com o médico a necessidade de exames de rastreamento.

Quando o aneurisma de aorta precisa ser tratado?

Nem todo aneurisma exige cirurgia imediata. A decisão depende principalmente de três fatores:

  • Tamanho e formato do aneurisma;
  • Velocidade de crescimento;
  • Presença de sintomas.

Aneurismas pequenos costumam ser apenas acompanhados com exames periódicos.

Já aneurismas maiores, com crescimento acelerado ou determinadas características anatômicas apresentam maior risco de ruptura, tornando o tratamento recomendado.

Tratamento endovascular: uma das maiores evoluções da cirurgia vascular

Nas últimas décadas ocorreu uma verdadeira revolução no tratamento dos aneurismas.

Hoje, sempre que a anatomia permite, o procedimento mais utilizado é o reparo endovascular do aneurisma, conhecido pelas siglas EVAR (aneurismas da aorta abdominal) e TEVAR (aneurismas da aorta torácica).

Nesse procedimento, o cirurgião vascular introduz uma endoprótese por pequenas incisões na região da virilha e, guiado por imagens de raio-x em tempo real, posiciona essa prótese na aorta.

Com isso, o sangue passa a circular pelo interior da endoprótese, deixando de exercer pressão diretamente sobre a parede enfraquecida do aneurisma e reduzindo drasticamente o risco de ruptura.

Vantagens do tratamento endovascular estão:

  • Menor perda de sangue;
  • Recuperação mais rápida;
  • Menor tempo de internação;
  • Menos dor no pós-operatório;
  • Retorno mais precoce às atividades.

Entretanto, nem todos os aneurismas podem ser tratados dessa forma. 

Alguns casos ainda necessitam de cirurgia aberta convencional, principalmente quando a anatomia da aorta não permite um implante seguro da endoprótese.

Diagnóstico precoce: a melhor forma de prevenir complicações

O aneurisma de aorta é uma doença potencialmente grave, mas que pode ser prevenida, monitorada e tratada com excelentes resultados quando diagnosticada precocemente.

Como geralmente não provoca sintomas nas fases iniciais, pessoas com fatores de risco, especialmente homens acima de 65 anos, fumantes ou ex-fumantes, hipertensos e indivíduos com histórico familiar, devem conversar com um especialista sobre a necessidade de rastreamento.

Adotar hábitos saudáveis, controlar a pressão arterial, abandonar o cigarro e manter acompanhamento regular são medidas capazes de reduzir significativamente o risco.

Além disso, os avanços da cirurgia vascular, especialmente com as técnicas endovasculares minimamente invasivas, tornaram o tratamento muito mais seguro do que no passado.

Reforçando que detectar o aneurisma antes de uma complicação pode fazer toda a diferença entre um tratamento programado e uma emergência com alto risco de morte. 

Saiba mais sobre o tratamento de aneurisma de aorta em São Paulo e região!

Dr. Marcelo Giusti | CRM-SP 132068

Cirurgião Vascular e Endovascular | RQE 52453

Radiologista Intervencionista | RQE 59003