Receber o diagnóstico de mioma uterino costuma vir acompanhado de uma pergunta angustiante: “Vou precisar retirar o útero?”
Na maioria dos casos, a resposta é não!
Hoje, existem tratamentos modernos e minimamente invasivos que permitem controlar os sintomas preservando o útero, como a embolização das artérias uterinas.
Muitas mulheres ainda desconhecem que esse procedimento é realizado por um cirurgião vascular ou por um médico especialista em Radiologia Intervencionista.
Isso acontece porque a técnica atua diretamente nos vasos sanguíneos que irrigam os miomas, interrompendo seu suprimento de sangue e promovendo sua redução gradual.
Neste artigo, você vai entender como é possível tratar o mioma uterino sem retirar o útero, como funciona a embolização e quais são as principais vantagens desse tratamento.
O que é o mioma uterino?
O mioma uterino é um tumor benigno que se desenvolve na camada muscular do útero.
É uma condição extremamente frequente: estima-se que até 7 em cada 10 mulheres desenvolvam algum mioma ao longo da vida, embora muitas nunca apresentem sintomas.
Os miomas podem variar em número, tamanho e localização.
É justamente essa combinação que determina se haverá necessidade de tratamento e qual será a melhor abordagem.
Quais sintomas o mioma uterino pode causar?
Nem todo mioma uterino provoca sintomas. Em muitos casos, ele é descoberto durante um exame ginecológico de rotina.
Entretanto, quando cresce ou está localizado em regiões mais sensíveis do útero, pode causar:
- Sangramento menstrual intenso ou prolongado;
- Cólicas e dor pélvica;
- Sensação de peso ou aumento do volume abdominal;
- Vontade frequente de urinar pela compressão da bexiga;
- Dor durante as relações sexuais;
- Anemia causada pela perda excessiva de sangue;
- Dificuldade para engravidar em alguns casos.
Quando esses sintomas passam a comprometer a rotina e a qualidade de vida, é hora de conversar com um especialista sobre as opções de tratamento.
É possível tratar o mioma uterino sem retirar o útero?
Sim. Atualmente, nem toda mulher com mioma uterino precisa passar por uma cirurgia para retirada do útero (histerectomia).
Entre as alternativas disponíveis, uma das que mais evoluiu nos últimos anos é a embolização das artérias uterinas, um procedimento minimamente invasivo que controla os sintomas preservando o útero na maioria dos casos.
Por que um cirurgião vascular trata miomas uterinos?
Essa é uma dúvida muito comum.
Embora o mioma uterino seja uma doença ginecológica, ele depende diretamente do fluxo sanguíneo para crescer e permanecer ativo.
É justamente por isso que o cirurgião vascular ou o especialista em Radiologia Intervencionista pode atuar nesse tratamento.
Utilizando técnicas endovasculares semelhantes às empregadas em procedimentos como angioplastias e embolizações, esse especialista acessa as artérias que irrigam o útero e bloqueia seletivamente o fluxo de sangue destinado aos miomas.
Sem esse suprimento, eles diminuem progressivamente de tamanho e deixam de provocar sintomas.
O tratamento é realizado em conjunto com o ginecologista, que continua acompanhando toda a saúde ginecológica da paciente.
Como funciona a embolização dos miomas uterinos?
A embolização é realizada por meio de uma pequena punção, geralmente no punho ou na virilha, sem necessidade de cortes no abdômen.
Através desse acesso, o médico introduz um cateter fino e flexível, guiado por imagens em tempo real até as artérias uterinas.
Quando identifica os vasos que irrigam os miomas, são injetadas micropartículas que bloqueiam seletivamente a passagem do sangue para essas lesões.
Enquanto os miomas deixam de receber nutrientes e oxigênio, o restante do útero continua sendo irrigado normalmente por outros vasos sanguíneos.
Como consequência, os miomas reduzem gradualmente de tamanho e os sintomas melhoram ao longo dos meses.
O procedimento costuma durar entre 45 minutos e 1h30, sendo realizado com anestesia local e sedação leve.
Como é a recuperação após a embolização?
Uma das principais vantagens da embolização é sua recuperação muito mais rápida quando comparada às cirurgias tradicionais.
De forma geral:
- A internação dura entre 1 e 2 dias;
- Cólicas semelhantes às menstruais podem ocorrer nas primeiras 24 a 48 horas;
- O retorno às atividades leves costuma acontecer entre 5 e 7 dias;
- A recuperação completa geralmente ocorre entre 2 e 3 semanas.
Para comparação, a recuperação de uma histerectomia costuma levar entre quatro e seis semanas.
Quais são os riscos da embolização?
Como qualquer procedimento médico, a embolização apresenta alguns riscos, embora complicações graves sejam incomuns.
Os efeitos mais frequentes incluem:
- Cólicas e dor pélvica nos primeiros dias;
- Pequeno hematoma na região da punção;
- Febre baixa transitória;
- Alterações menstruais, principalmente em mulheres próximas da menopausa.
A embolização é realizada há mais de duas décadas em diversos países e possui um histórico de segurança bem estabelecido.
Quais são os resultados da embolização?
Os resultados são bastante positivos.
Os estudos mostram que:
- Entre 85% e 90% das pacientes apresentam melhora importante ou desaparecimento dos sintomas;
- Os miomas costumam reduzir entre 40% e 60% do volume ao longo dos meses seguintes;
- A melhora da qualidade de vida é percebida logo nas primeiras semanas, principalmente pela redução progressiva do sangramento menstrual.
Embolização x outros tratamentos para mioma uterino
A escolha do tratamento depende de diversos fatores, como sintomas, tamanho dos miomas, idade e desejo de engravidar.
|
Aspecto |
Embolização | Miomectomia | Histerectomia |
| Retira o útero? | Não | Não | Sim |
| Necessita de corte no abdômen? | Não (apenas uma pequena punção) | Sim | Sim |
| Tipo de anestesia | Local + sedação | Geral ou raquidiana | Geral ou raquidiana |
| Tempo de internação | 1 a 2 dias | 2 a 4 dias | 3 a 5 dias |
| Retorno às atividades | 5 a 7 dias | 3 a 4 semanas | 4 a 6 semanas |
| Trata múltiplos miomas ao mesmo tempo? | Sim | Depende da quantidade e localização | Sim |
| Preserva o útero | Sim | Sim | Não |
| Possibilidade de gravidez | Deve er avaliada individualmente | Geralmente preservada | Não é possível |
Quem pode se beneficiar da embolização?
A embolização costuma ser indicada principalmente para mulheres que apresentam:
- Sangramento menstrual intenso;
- Anemia causada pelos miomas;
- Múltiplos miomas;
- Desejo de preservar o útero;
- Vontade de evitar uma cirurgia convencional;
- Maior risco para procedimentos cirúrgicos;
- Histórico de cirurgias anteriores.
Em algumas situações específicas, como miomas muito volumosos associados ao desejo de engravidar a curto prazo, outras opções podem ser mais indicadas.
Por isso, cada caso deve ser avaliado individualmente.
O tratamento ideal é aquele indicado para você
Retirar o útero deixou de ser a única alternativa para tratar o mioma uterino.
Com os avanços da medicina, a embolização das artérias uterinas tornou-se uma opção segura, eficaz e minimamente invasiva para muitas mulheres.
Além de preservar o útero na maioria dos casos, oferece recuperação mais rápida e melhora significativa dos sintomas.
O mais importante é que toda mulher saiba que existem diferentes possibilidades de tratamento.
A decisão deve ser tomada após avaliação individualizada, levando em consideração os sintomas, os planos reprodutivos, o tamanho e a localização dos miomas, sempre em conjunto entre o ginecologista e o cirurgião vascular ou especialista em Radiologia Intervencionista.
Saiba mais sobre o tratamento de embolização de mioma em São Paulo e região!
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Dr. Marcelo Giusti | CRM-SP 132068
Cirurgião Vascular e Endovascular | RQE 52453
Radiologista Intervencionista | RQE 59003





